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Confira seis razões que levam as pessoas a dizerem sim quando querem dizer não

Entre as razões apontadas pela psicóloga Gislene Erbs estão: a necessidade de agradar, o mau desenvolvimento da autoestima e uma infância mal resolvida

Ao longo da vida, muitas pessoas já se viram nesta exata situação: deixaram suas entregas em segundo plano, para realizar favores a outros, porque não conseguiram dizer não a eles. Isto não raramente resulta em frustração e infelicidade. Mas por que  muitos  não conseguem resistir a esse comportamento autodestrutivo? Para a psicóloga e autora do livro “Sim ou Não – A difícil arte de colocar-se em primeiro lugar na sua vida”, Gislene Erbs, são várias as razões, que precisam ser levadas à consciência e analisadas, com o intuito de que as pessoas se tornem mais assertivas quando precisarem decidir entre dizer sim ou um não.

A psicóloga destaca que a assertividade é o melhor caminho para que as pessoas comecem a estabelecer limites saudáveis em seus relacionamentos, fazerem escolhas conscientes e melhorarem suas chances de satisfazer suas próprias necessidades e atingir seus objetivos. “A assertividade nos ajuda a nos expressarmos de maneira eficaz e a defender nosso ponto de vista, ao mesmo tempo em que respei­tamos os direitos e as crenças dos outros. Também nos ajuda a aumentar nossa autoestima e ganhar o respeito dos outros. Dizer não com assertividade é o melhor caminho para construirmos relacionamentos sólidos, saudáveis e duradouros”, afirma.

Debruçando-se sobre as causas que levam as pessoas a dizerem sim quando, na verdade, querem dizer não, Gislene destaca a necessidade de agradar os outros como uma delas. A psicóloga explica que os seres humanos precisam estabelecer vínculos afetivos e sociais para sua autorrealização plena. “Se levarmos em conta que as interações são construídas baseadas principalmente na aceitação e na aprovação umas das outras, fica difícil adotarmos uma postura em que imagi­namos que o outro possa vir a se sentir desagradado”, diz.

Outro fator que gera este tipo de comportamento é um perfil comportamental inadequado, sendo que, por sua vez, este quesito decorre da falta de habilidade de administrar emoções.  “Quando não sabemos lidar com nossas emoções, tendemos a ficar presos em crenças e padrões repetitivos que podem nos levar a transformar nossos sentimentos em ações negativas, ou em comportamentos inadequados, que interferem diretamente na nossa assertividade”, explica a psicóloga.

Do mesmo modo, o mau desenvolvimento da autoestima é um determinante para essa dificuldade que algumas pessoas têm de se colocar em primeiro lugar. “Uma autoestima baixa coloca o indivíduo em situações muito difíceis, onde ele não se sente merecedor das coisas boas da vida e frequentemente prioriza o bem e os interesses dos outros em de­trimento dos seus”, afirma Gislene.

Uma infância mal resolvida é mais uma razão que gera comportamentos como o de priorizar a vontade dos outros, colocando-se geralmente em segundo plano. Conforme a psicóloga, experiências dolorosas vivenciadas quando criança, se não trabalhadas, culminam em adultos traumatizados, que apresentam a tendência de evitar dizer não para quem quer que seja, em situações estressantes. “Afinal, se há algo de que menos precisam nesses momen­tos é de se sentirem rejeitados, então fazem tudo para evitar que isso aconteça”, diz.

De acordo com a hipnoterapeuta, experiências negativas de uma maneira geral, sejam vividas na infância, ou sejam experimentadas na fase adulta, são causadoras de condutas prejudiciais. “Um indivíduo que passa por experiências de abuso, de bullying, rejeição, abandono, humilhação, por exemplo, fica traumatizado. Sendo assim, a fim de evitar novas situações dolorosas, passa a não ser uma boa ideia, para ele, dizer não as pessoas. Como consequência, fica muito mais fácil dizer sim a toda hora, mesmo tendo que arcar com todas as consequências dessa decisão”, diz.

O último fator apontado por Gislene como motivador da falta de habilidade de declinar demandas alheias está mais relacionado ao outro do que ao próprio indivíduo. “Há casos em que não se consegue dizer não em decorrência da grande insistência do solicitante. Vencido pelo cansaço, a pessoa a quem foi feito o pedido sucumbe e diz sim para se livrar do problema o mais rápido possível”, afirma.

Sobre a psicóloga Gislene Erbs 

 Graduação em Psicologia pela Associação Catarinense de Ensino, graduação em Educação Artística

Universidade da Região de Joinville e Mestrado em Saúde e Meio Ambiente pela Universidade da

Região de Joinville. Tem experiência na área da Saúde e Educação, com ênfase em Avaliação

Psicológica. Atuando principalmente nos temas: Saúde, Hipnose, Liderança, Carreira, Avaliação Psicológica.