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Dona da Hering e Arezzo acertam fusão e criam nova potência bilionária da moda

Empresas oficializaram o acordo na manhã desta segunda-feira (5)

Agora é oficial: o Grupo Soma, dono da Hering, e a Arezzo acertaram uma fusão bilionária, que cria uma nova potência da indústria da moda brasileira. Os conselhos de administração das duas companhias confirmaram a combinação de negócios no início da manhã desta segunda-feira (5), em fato relevante divulgado ao mercado. O anúncio ocorre menos de uma semana depois do vazamento das primeiras informações de que as duas gigantes estavam em tratativas.
O acordo envolve troca de ações. Na nova empresa, cujo nome ainda será definido, os atuais acionistas da Arezzo terão 54% dos papéis, enquanto os do Soma ficarão com os 46% restantes. O atual presidente da Arezzo, Alexandre Birman, será o presidente da companhia combinada. Já Roberto Jatahy, presidente do Soma, ocupará o cargo de CEO da unidade de vestuário feminino.

Juntas, Arezzo e Soma somaram uma receita bruta de R$ 10,87 bilhões em 2022, com lucro líquido combinado de R$ 770 milhões e 2.107 lojas, entre próprias e franquias. Os balanços de 2023 das duas companhias ainda não foram divulgados.
Projeções de analistas apontam que a nova empresa surge com R$ 11,8 bilhões em receita líquida e lucro líquido próximo de R$ 900 milhões, considerando as estimativas para este ano. Os números só deixariam o novo negócio atrás da Renner.

O novo conglomerado também nasce com 34 marcas debaixo do guarda-chuva, entre elas Arezzo, Farm, Animale, Reserva e Hering. Informações de bastidores dão conta de que os membros da família da centenária empresa de Blumenau não teriam gostado dos termos iniciais do acordo, mas depois foram convencidos do potencial do negócio.
A nova empresa, anunciaram Arezzo e Soma, terá quatro verticais de negócios: calçados e bolsas, vestuário e lifestyle feminino, vestuário e lifestyle masculino e vestuário democrático. A consumação do negócio ainda depende da aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Sinergias

Ao longo da semana, as empresas sinalizaram que a transação tem potencial para gerar R$ 4,5 bilhões em sinergias – um número considerado um tanto agressivo pelo mercado. Boa parte desse valor está na possibilidade de cross-sell entre as marcas (com venda de calçados Birman na Animale, por exemplo)

Analistas e investidores preferem focar do lado dos custos. O Safra estima uma economia de R$ 200 milhões por ano em despesas gerais e administrativas, que incluem backoffice, RH e tecnologia da informação

Há uma expectativa de redução de despesas operacionais, além de uma vantagem importante para a Reserva a princípio, que poderá ser estendida a outras marcas, que é a utilização do complexo industrial da Hering para produzir suas peças

“A Hering teve uma série de problemas ao longo dos anos, mas a parte fabril é impressionante e eles conseguem operar com um custo industrial muito baixo”, aponta um gestor que tem ações tanto de Arezzo quanto de Soma …