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Maturidade digital é condição imperativa para quem quer – e precisa – se manter no mercado

Por Filipe Bento, CEO da Br24

A maior barreira das pessoas, no mundo, para alcançar resultados organizacionais é tentar superar muitas mudanças ao mesmo tempo. Essa foi a opinião de 10 mil entrevistados na nova pesquisa Global Human Capital Trends (Tendência Global do Capital Humano), da Deloitte.

De acordo com o estudo, como as empresas estão enfrentando um momento de ressignificação, à medida que as mudanças nos negócios e na sociedade continuam a pautar a trajetória das agendas humanas, para prosperar em um mercado repleto de adversidades, os líderes devem evoluir em conjunto com suas organizações. Para isso, é imperativo que eles assumam um novo conjunto de fundamentos e mobilizem trabalhadores para galgar novos resultados. E, dentre esses princípios a serem adotados, destaque para uma relação, digamos, mais aprimorada entre tecnologia e pessoas.

Estamos falando aqui de maturidade digital. E isso não tem nada a ver com substituir o capital humano pelas máquinas. Pelo contrário: as pessoas pensam, são dotadas de sentimentos e emoções, são livres paras serem criativas, para colocar em prática novas ideias e ter opiniões, ao passo que os robôs dependem do comando humano para executar suas tarefas, desde as mais simples até as mais sofisticadas.

Ocorre que, por mais que os líderes de negócios saibam disso na teoria, colocar isso em prática é o “outro lado da moeda”, bem mais complicado. Ou seja: apesar de compreenderem que um ambiente de trabalho maduro digitalmente, além de potencializar resultados e melhorar a relação com os clientes, traz a todos os envolvidos redução de retrabalho e transparência em relação às metas a serem atingidas, eles ainda têm dificuldades de relacionar pessoas e tecnologia para que produzam em consonância.

Na Br24, parceira da Plataforma Bitrix24 da América Latina, houve um aumento exponencial de empresas buscando serem mais digitais, principalmente depois da pandemia da covid-19, que trouxe o avanço do home office e o boom para o e-commerce, mas a verdade é que muitos gestores não sabem nem por onde começar o processo.

Uma parte pensa que “ser mais digital” é comprar tudo o que é lançado em matéria de tecnologia. Nós somos procurados também por indivíduos que acham que ter um mindset digital é ter uma internet de qualidade e pronto. Tem quem queira economizar e, portanto, aposta na tecnologia como substituta dos funcionários. A consequência de não saber bem o que está fazendo, em um ambiente que muda o tempo todo, é que o “tiro pode sair pela culatra”, como diz o ditado. Ou seja: a empresa pode fazer um pesado investimento e não obter progresso nenhum.

Pelo contrário: os softwares e programas adquiridos podem até se tornar um estorvo, com dados espalhados por vários locais, sem ligação alguma. Ou, na pior das hipóteses, a empresa passa a sofrer com a ausência de pessoas capacitadas para alimentar o sistema de forma precisa.

Segundo a consultoria empresarial McKinsey, ao passo que o nível de maturidade digital dos empresários brasileiros está próximo ao dos líderes globais, por aqui a dificuldade está em “se manter digital”. De acordo com o levantamento, das 124 empresas de grande e médio porte participantes, a maioria enfrenta obstáculos na implantação de mapas e guias de equipes ao longo de um projeto; em preservar uma visão 360º sobre o cliente, o que é útil para a tomada de decisões; em reter talentos preparados para um modelo de negócio digital e analítico; e em conservar uma mentalidade digital baseada em dados nos níveis tático, estratégico e operacional.

E analisando o cenário hostil, podemos perceber que a “mudança de mentalidade” é hoje a maior dificuldade das empresas brasileiras na hora de atingirem o ápice da transformação digital por completo. E isso acontece porque, infelizmente, a maioria das pessoas é avessa a mudanças, preferindo se manter na zona de conforto, mesmo que esse lugar esteja desconfortável.

Confesso que eu também tenho meus receios de sair de um território aparentemente seguro, no qual eu me sinto com sensação de “total controle” para ir com destino a um território oculto, inexplorado. Contudo, hoje, não ser digital é sinônimo de erros e falhas, retrabalho, desperdício de tempo e dinheiro, clientes reclamando… Enfim, na condição de que “se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come”, mudar parâmetros culturais e alcançar a maturidade digital não é mais uma opção, e sim uma condição imperativa para quem quer – e precisa – se manter no mercado.