Promotor de Justiça morto em 2008, pode se tornar o primeiro Santo de Florianópolis

A Arquidiocese da Capital catarinense abriu oficialmente este ano o processo de beatificação do jovem Marcelo Henrique Câmara. Ele poderá ser o primeiro “manezinho” no rol dos santos da Igreja Católica.

De acordo com o padre Vitor Feller, postulador da causa do jovem Marcelo Câmara, caberá ao Tribunal Arquidiocesano verificar a consistência da santidade do jovem Marcelo. Para esse objetivo serão coletados depoimentos e testemunhos acerca de como ele exerceu as virtudes cristãs, serão analisados os seus escritos e suas palestras já devidamente transcritas e será averiguada a sua história enquanto jovem e cristão que viveu de modo fiel o seguimento de Cristo.

O padre imagina que após a transferência dos restos mortais para a paróquia dos Ingleses haverá um crescimento gradual de peregrinos para conhecer a história de Marcelo Câmara. “Atualmente, grupos de jovens do Movimento Emaús têm feito visitas ao túmulo dele. Uma vez colocado nos Ingleses, num local adequado, que já está definido, haverá romarias de grupos de jovens, que têm presença em várias cidades catarinenses e outros estados. Essas visitas não serão apenas de jovens, uma vez que a causa se torne mais conhecida, haverá mais dessas romarias.”

De acordo com o padre, todos os dias chegam de três a quatro notícias de graças alcançadas. “São de pessoas que estavam angustiadas com dívidas, com problemas de relacionamento com familiares e outros que precisavam passar num concurso ou vestibular, graças que não consideramos milagres, mas que as pessoas consideram e dizem claramente que pediram a interseção do Marcelo. Pediram a Deus por mediação de Marcelo.”

Com o intuito de divulgar, promover e fomentar o chamado à santidade, bem como de promover os processos de beatificação e canonização do jovem manezinho foi criada a Associação Marcelo Henrique Câmara. Também foi criado um site www.marcelocamara.org.br e há páginas no Instagram (@marcelinhocamara) e no Facebook:/marcelohenriquecamara. Promotor de Justiça

Jovem, leigo, estudante de Direito, professor e promotor de Justiça, Marcelo Câmara morreu no dia 20 de março de 2008 com fama de santidade. “Em apenas 28 anos de existência, deu testemunho exemplar de vida cristã, vivendo de modo extraordinário os momentos ordinários da vida”, defende padre Vitor.

Marcelo participava da vida paroquial na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no bairro dos Ingleses, no Norte da Ilha, onde era catequista de adultos e ministro extraordinário da sagrada comunhão. Ele também participava do Movimento de Emaús, como apóstolo da juventude.

Formado em Direito, foi professor titular do Instituto de Ensino Superior (IES) e professor substituto na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já com leucemia, estudou com afinco para se tornar promotor de Justiça, cargo que exerceu por um ano com profissionalismo ético e dedicação evangélica, conforme o padre Vitor. “Identificou-se com o sofrimento redentor de Cristo no oferecimento da sua enfermidade, vivida com alegria e paz cristã, durante quatro anos, em consonância com os ensinamentos de São Jose María Escrivá (1902-1975), fundador do Opus Dei”, completou.

“No começo deste terceiro milênio, em meio aos desafios de um mundo altamente secularizado, Marcelo nos confirma que a santidade é possível, e é um chamado para todos os estados de vida. É possível ser jovem e ser santo. Mais que isto, é preciso!”, ressalta o postulador da causa, padre Vitor Feller.

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