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Quem teve Covid segue com mais chances de ter trombose

Neste Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose especialista explica a relação entre as doenças

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) ano passado afirma que a Covid-19 aumenta o risco de desenvolver coágulos sanguíneos graves até seis meses depois do contágio. A pesquisa, realizada por uma equipe de especialistas da Suécia, revela que existe um risco maior de trombose venosa profunda até três meses após a infecção por Covid-19. Segundo os pesquisadores, uma embolia pulmonar pode ocorrer até seis meses após o contágio e um evento hemorrágico até dois meses depois. A possibilidade aumenta em pacientes com comorbidades ou que desenvolveram uma forma severa da Covid-19. O estudo também aponta que houve mais casos de trombose durante a primeira onda da pandemia do que na segunda e terceira. 

O assunto merece destaque neste Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado em 16 de setembro. O cirurgião vascular e endovascular Fábio Augusto Cypreste Oliveira (CRM 14.474), que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, percebe o resultado desse estudo no seu dia a dia. “Na prática clínica diária observamos que os pacientes com Covid tem em média quatro vezes mais chance de desenvolver trombose venosa e cerca de 17 vezes mais chances de desenvolver embolia pulmonar, principalmente em pacientes com estágio grave e internados”. 

O especialista explica que a trombose é a formação de coágulos dentro da circulação das artérias ou veias e que a Covid-19 passou a ser um fator de risco. “Hoje sabemos que a Covid é uma doença infectocontagiosa que altera o estado normal de coagulação, podendo levar a trombose. Os fatores são múltiplos e ainda estão em estudos, mas sabemos que os pacientes com Covid também podem ter outros fatores de risco para o desenvolvimento da trombose, tais como: internação prolongada, idade avançada, tabagismo, uso de hormônios e tratamento para câncer. Essa associação é determinante para o desenvolvimento dessa doença circulatória”, detalha o médico.

Tratamento é o mesmo
Contudo, Fábio Cypreste salienta que o tratamento para trombose não muda, independente de sua causa. “De uma forma geral, o tratamento é o uso de medicamentos anticoagulantes, que podem ser administrados pela veia, de forma subcutânea ou oral. O objetivo é evitar a progressão da trombose e ajudar o organismo a dissolver esses coágulos. Em casos mais graves, a retirada desses coágulos pode ser realizada através de cateterismos, mas é importante identificarmos a causa, de forma a tratá-la e evitar assim a recorrência da trombose”.

O cirurgião vascular e endovascular lembra que a trombose é mais comum nas veias das pernas e destaca os sintomas. “As manifestações mais comuns são edema (inchaço) em uma das pernas, dor de aparecimento súbito, dificuldade para andar, musculatura da panturrilha endurecida e, em casos de embolia pulmonar, dor no peito e falta de ar. Se você desenvolve um desses sintomas, é importante procurar atendimento médico o mais rápido possível”.

Ele destaca que algumas pessoas são mais propensas a desenvolver a doença. “Pacientes em pós operatório em grandes cirurgias, lesões musculares graves ou traumas, redução da circulação sanguínea por imobilização prolongada, aumento do hormônio chamado estrogênio, que pode ser causado por uso de pílulas anticoncepcionais, gravidez e uso de testosterona exógena. Além de algumas doenças crônicas, como as cardiovasculares, pulmonares e câncer, obesidade, história prévia ou familiar de trombose e idade avançada”.

Fábio Cypreste diz que é possível evitar a trombose com uma vida saudável. “A prevenção é feita através de alimentação saudável, evitar o tabagismo, realizar atividade física regular, manter-se no peso ideal e realizar check up vascular regularmente”, afirma ele, citando ainda as precauções em outros casos. “Utilizamos escalas de risco para o desenvolvimento da trombose em pacientes que estão internados ou vão ser submetidos a algum procedimento cirúrgico e assim passamos anticoagulantes em dose preventiva, além do uso de meias elásticas e bombas de compressão pneumática”, detalha.