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SBCO orienta sobre como cair na folia com a saúde mais protegida

O Carnaval se aproxima. A tendência é passar mais tempo ao ar livre, sob o sol e deixar-se envolver pelo clima de alegria e relaxamento, o que pode resultar em sexo desprotegido. Atenta à necessidade de promover a educação em saúde, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) apresenta diversas medidas preventivas que podem fazer muita diferença na proteção à saúde durante a folia

A maior festa popular do mundo se aproxima. Oficialmente, o Carnaval começa dia 9 de fevereiro, uma sexta-feira. “O período que antecede a festa é o momento exato para lembrar as pessoas de alguns cuidados que certamente farão muita diferença na proteção à saúde”, alerta o cirurgião oncológico Reitan Ribeiro, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e titular do Departamento de Ginecologia Oncológica do Hospital Erasto Gaertner.

De acordo com o médico, para que haja um comportamento saudável por parte da população, é muito importante garantir que as principais informações para prevenção estejam acessíveis e sejam veiculadas constantemente para promover a conscientização. Com essa finalidade, a SBCO sugere algumas medidas para quem deseja se preparar para um Carnaval mais seguro.

Deve-se tomar as vacinas disponíveis de acordo com a idade

Covid-19 – É fundamentar estar em dia com a vacinação contra a Covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o intervalo de tempo necessário para que o organismo responda à imunização, reforçando a proteção contra a doença com anticorpos, fica em torno de 10 a 20 dias. “Portanto, ainda dá tempo de tomar o reforço, seja qual for a sua idade, antes da folia”. Até o dia 12 de janeiro de 2024, apenas 16,26% dos brasileiros haviam tomado a vacina bivalente, que protege contra as subvariantes da cepa Ômicron.

HPV – O acesso a informações precisas tem papel fundamental na proteção contra os riscos relacionados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Trata-se de um grupo de vírus transmitidos principalmente por contato sexual. Existem tipos de HPV de baixo e alto risco, sendo alguns associados ao desenvolvimento de verrugas genitais e ao câncer. Cerca de 97% dos casos de câncer de colo do útero têm relação direta com infecção pelo HPV. Além disso, o HPV é uma das principais causas de tumores de pênis (mais de 60% dos casos), ânus (90%), boca e garganta (orofaringe: cerca de 70%), vagina (75%) e vulva (70).

A vacinação é uma medida crucial para prevenir infecções por certos tipos de HPV e reduzir o risco de complicações relacionadas. No entanto, ainda que a vacinação A vacina contra o HPV, com eficácia superior a 90%, está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, para homens e mulheres transplantados, pacientes oncológicos em uso de quimioterapia, pessoas vivendo com HIV/Aids e vítimas de violência sexual. Na rede privada, a vacina é oferecida para mulheres com idades entre 9 e 45 anos e para homens com idades entre 9 e 26 anos.

Porém, ainda que a vacinação esteja disponível de forma gratuita, informações do Ministério da Saúde indicam que mais da metade da população jovem no Brasil está atualmente infectada pelo HPV. “O principal fator que contribuiu para a queda na vacinação foi a transferência da vacinação das escolas para os postos de saúde, fazendo com que muitos pais esquecessem de levar os filhos para vacinar”, diz Reitan Ribeiro. Ele lembra que as práticas sexuais seguras, como o uso de preservativos, ajudam a reduzir o risco de infecção pelo HPV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Hepatite B – A infecção crônica por hepatite B ou C é um fator que aumenta bastante o risco de desenvolvimento de câncer no fígado. A vacina contra a hepatite B está disponível no SUS para todas as idades.

HIV – Um perigo que não desapareceu. O HIV é o vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida Humana, a Aids. “De certo modo, com os tratamentos e terapias disponíveis, as novas gerações que não viram a gravidade da Aids nas décadas anteriores e acabam se expondo mais. Esses jovens precisam ser mais bem informados e alertados”, explica Reitan Ribeiro.

A Aids é transmitida principalmente por meio de fluidos corporais contaminados. As principais vias de transmissão são as relações sexuais sem proteção e o compartilhamento de agulhas e seringas. Não há contaminação pelo HIV por abraço, aperto de mão ou picada de mosquito (mas se for o Aedes Aegypti, que se dissemina nas grandes cidades, a pessoa pode contrair dengue, zika ou chikungunya ou febre amarela).

“A prevenção e o tratamento precoce são as melhores atitudes para controlar a disseminação da doença”, afirma o médico, que faz um resumo das principais estratégias para se prevenir. “Acho fundamental que os jovens tenham acesso a informações sobre a gravidade e a prevenção do HIV/Aids, porque a doença existe. Precisam conhecer as práticas sexuais seguras, os riscos associados ao compartilhamento de agulhas e como a doenças foi estigmatizante no início”, orienta.

O médico lembra que o termo “sexo seguro” costuma ser associado ao uso de preservativos. “Mas existem mais medidas importantes e complementares para a prática sexual segura de modo geral, antes, durante e depois do Carnaval”, diz o médico. Ele cita, abaixo, um conjunto de medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde para ter uma prática sexual segura:

– Imunizar-se para hepatite A (HAV), hepatite B (HBV) e HPV;
– Discutir com a parceria sobre a testagem para HIV e outras ISTs;
– Testar-se regularmente para HIV e outras ISTs;
– Tratar todas as pessoas vivendo com HIV;
– Realizar exame preventivo de câncer de colo do útero (colpocitologia oncótica);
– Realizar Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), quando indicado;
– Realizar Profilaxia Pós-Exposição (PEP), quando indicado;
– Conhecer e ter acesso à anticoncepção e concepção.

A PrEP é uma estratégia que envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o HIV, mas estão em situação de risco maior para a infecção. De uso diário, a PrEP tem mostrado ser bastante eficaz na prevenção do HIV. Seu uso tem sido recomendado para homens que fazem sexo com homens, parceiros sorodiferentes (quando uma pessoa é HIV positivo e a outra é HIV negativo), usuários de drogas injetáveis e grupos mais vulneráveis à exposição ao vírus.

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) consiste na administração de medicamentos antirretrovirais à pessoa que pode ter sido exposta ao HIV. A medida visa reduzir o risco de infecção pelo vírus, sendo indicada após situações de alto risco, como relações sexuais desprotegidas com uma pessoa soropositiva ou exposição ocupacional. A PEP deve ser idealmente iniciada nas primeiras 72 horas após a exposição e administrada por um período de 28 dias. “Mas esta é uma estratégia de emergência, e não uma alternativa de prevenção”, alerta o cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO e titular do Hospital de Base, de Brasília.

A profilaxia pós exposição pode ser acessada na rede privada ou pública (Serviços de Urgência 24 horas (UPAS), Hospitais de Referência, Serviços Especializados (SAE e CTA) e Unidades Básicas de Saúde). Os medicamentos são fornecidos unicamente pela rede pública.

O cirurgião oncológico Reitan destaca que a presença do vírus HIV compromete o sistema imunológico, tornando os portadores mais suscetíveis a diversas infecções e doenças. “Essa imunossupressão pode aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como Sarcoma de Kaposi, Linfomas não Hodgkin, tumores cervicais, de fígado, diz Pinheiro.

A vigilância contra o câncer de pele

Durante o Carnaval, é comum passar mais horas ao ar livre, principalmente durante o dia. Nestes dias de descontração, é imprescindível adotar cuidados para proteger a pele dos excessos solares para prevenir o câncer de pele.

Segundo um estudo recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgado em novembro do ano passado, a previsão é de surgirem aproximadamente 700 mil novos casos de câncer anualmente no Brasil, com a região Sul e Sudeste concentrando cerca de 70% dessas incidências. Destaca-se especialmente o câncer de pele, que representa aproximadamente 31,3% dos casos.

O uso de protetor solar, que é uma medida relativamente simples, é muito importante na praia e na cidade. “Infelizmente, filtro solar tem preço elevado um país pobre como o nosso. Mas deveríamos todos usar para sair ao sol. Não precisa passar muito. Conta mais a frequência da reaplicação (a cada duas horas) do que a quantidades”, diz Reitan. Deve ser usado inclusive em dias nublados.

Reitan Ribeiro cita um consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a da colher de chá, para calcular a quantidade ideal de proteção solar. “A indicação da SBD é uma colher de chá no rosto e pescoço; uma colher de chá na parte da frente do tronco e a mesma medida na parte de trás; uma colher de chá em cada braço e uma colher de chá na parte da frente das coxas e pernas e a mesma medida na parte de trás”, explica Reitan. Além disso, é mais adequado ficar na sombra nos horários de pico (das 10h às 16 horas).

O médico diz ainda que o uso de chapéus é uma alternativa eficiente na prevenção do câncer de pele. “Esse é um item do vestuário que podia novamente ser moda. Ajudaria bastante na prevenção do câncer de pele em um país tropical ao evitar o contato direto do sol com áreas sensíveis do rosto, pescoço e orelhas!”, diz o especialista. Ele diz que o melhor são os chapéus de abas largas e que já existem modelos feitos com proteção UV, ampliando a defesa.

Sobre a SBCO – Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida atualmente pelo cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro (2023-2025).